Imagens de Santo

Por Mãe Iassan Ayporê Pery

Muita polêmica se instala em torno da adoção de imagens na Umbanda, temos um ponto de vista e gostaríamos de colocar.
Primeiramente vamos estudar as raízes da Umbanda. Os Pretos Velhos são, inegavelmente, uma forte característica dentro da Umbanda, sua humildade, suas características inerentes a sua própria individualidade, da forma com que se apresentam, temos nestes trabalhadores uma forte influência dentro da Umbanda.
Sem dúvida, nos reportando ao tempo da escravatura nas senzalas, vimos os pretos adorando seus Orixás e sendo catequizados pelos padres católicos.
O culto aos Orixás era reprimido pelos feitores, e senhores de engenhos. Para concatenar as idéias e continuar seus cultos, os pretos nas senzalas assumiram as imagens e as agregaram ao seu culto. Não pretendemos discutir agora o sincretismo católico.
Esse ponto é facilmente constatável através de qualquer trabalhador desta falange incorporado, sempre eles se reportam às imagens quando oferecem uma orientação a um filho de fé.
Basta termos em mente a honestidade para com esta falange, para que, inegavelmente no mínimo, admitamos a crença de uma das mais fortes raízes da Umbanda.
Não pretendemos entretanto colocar numa imagem de um santo, forças sobrenaturais, ou ainda atribuir, em última análise, a uma estátua poderes ou soluções maiores, não é isso.
Acreditamos, no entanto que pode ser um valioso recurso para quem necessite de uma ajuda. Talvez um valioso ato de ligação mental com uma entidade. Logicamente não é o único elo. Concebemos os vários tipos de pessoas, e cada qual com suas possibilidades meditativas, devocionais ou ainda ritualísticas. Se uma pessoa não necessita de imagens para conceber um Orixá, se, por exemplo, ao lembrar o mar, sinta Iemanjá, a imagem é desnecessária realmente. Mas nem todos somos iguais, a imagem sobre este aspecto certamente é um recurso que não pode ser desprezado, e sua ligação na Umbanda é inquestionável.
No afã da direção, algumas pessoas ditam normas baseadas em suas características, ou no seu modo de entender, afirmamos que, é necessário procurar tendências gerais, e fornecer aos seus filhos métodos que se coadunem com suas formas de ser. Ou seja, alguns dirigentes simplesmente afirmam que as imagens são desnecessárias porque o Orixá não é “aquilo”. E nem nós estamos dizendo que seja, estamos apenas tentando lembrar que nem sempre todos têm grande capacidade de abstração e associação vibratória sem que para isto tenha ao menos um ponto de fixação (imagem). Antes de dizermos que um Centro de Umbanda ter imagens é “errado”, podemos dizer no máximo que não gostamos de imagens ou que não precisamos de imagem para nos concentrar, pois errado não é, já que além de fazer parte da Umbanda, algumas pessoas precisam delas! Acreditamos que pelo exposto está claro que, a imagem é um ponto de fixação auxiliar na concentração.

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